Há dois anos, no topo da carreira, Joaquin Phoenix despediu-se dos filmes sem olhar para trás. Estreia hoje o documentário (?), pelas mãos do colega e amigo Casey Affleck, que nos desvenda o desenrolar do seu ano após se reformar do cinema. Phoenix, afinal, queria era ser rapper.
I’m Still Here começa em Outono de 2008, com o anúncio feito pelo ator de que Duplo Amor seria o seu último filme e que se iria dedicar ao mundo do hip hop. Daí até à desastrosa entrevista no Late Show with David Letterman, em Novembro de 2009, vemos o homem passar por uma carreira musical como MC cheia de tentativas falhadas e presenciamos a momentos mais pessoais onde, por exemplo, filosofa sobre a vida. O ponto principal desta história é mostrar o que implica ser uma estrela nos dias de hoje e como nos submetemos, enquanto seres humanos, aos papéis que a sociedade nos entrega.
Sem saber como recuperar o sentido de viver, Joaquin acaba por recorrer à única coisa que sabe fazer e chama uma equipa para filmar o seu tormento. Frustrado, chega a soltar durante o filme um dramático “I’m just trapped in this fucking self-imposed prison of characterisation!“, enquanto os seus cães fornicam sobre o seu relvado. No fundo, um exemplo da tragicomédia que é a vida.
Seja um documento real ou não, a verdade é que isto faz-me lembrar algo saído de Andy Kaufman (o que é mais que uma boa desculpa para dar um salto ao cinema). De resto, posso dizer que Joaquin Phoenix entretanto fez a barba e recuperou a sanidade. A página oficial do filme encontra-se aqui.

