The Handmaiden

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Apesar de alguns exageros estilísticos recorrentes e da sensação comum de que os seus argumentos poderiam levar duas ou três gratificantes naifadas, Park Chan-wook é um dos meus cineastas preferidos. Desta vez o realizador de Oldboy transplantou para a Coreia uma trama de conspiração e desejo e filmou-a de forma despudorada.

Sendo desconhecedor do originário romance de Sarah Waters, Fingersmith, encontro-o descrito, após vinte segundos de google, como “lésbico-Dickensiano”. Parto para o trailer: sexo, violência, submissão e voyeurismo – com uns looks de arraso, como um se fosse um giallo contemporâneo (e anémico) em roupagem de época.

Há quem diga que The Handmaiden é feminista, que retrata os personagens masculinos como impotentes ou incapazes de seduzir. Há quem diga que não passa de uma fantasia construída exclusivamente para a mente masculina. Eu aposto que, se o argumento não tiver buracos, será um dos filmes do ano. Se os tiver, espero que o filme seja, pelo menos, um belo buraco da fechadura.

Gimme Danger

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Foi apresentado na última edição de Cannes, deu umas voltas por alguns eventos internacionais e hoje começa a ser exibido em casa, ainda no circuito festivaleiro. Gimme Danger é o documentário de Jim Jarmusch sobre um dos maiores marcos transgressores na história da música e cultura pop: Iggy Pop & The Stooges.

Será que estreia porque cá no início de 2017?

The Red Turtle

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É o primeiro filme lançado pelos Studio Ghibli após o hiato declarado há pouco mais de dois anos e ocorrido na sequência do anúncio da reforma de Hayao Miyazaki. Esta história de um naufrago numa ilha deserta, dirigida pelo holandês Michael Dudok de Wit (uma estreia em longa-metragem após várias curtas de animação de sucesso), é também o primeiro filme não japonês produzido por este estúdio, ainda que em co-produção com a francesa Wild Bunch.

Foi ainda anunciado que a obra não tem diálogos – um pormenor interessante dado que muita gente, quando espera um filme Ghibli, espera animais falantes.

Gene Wilder (1933 – 2016)

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Outro rosto que me é impossível desassociar da infãncia e que é levado este ano. Gene Wilder foi protagonista nalguns dos melhores filmes de Mel Brooks. Mais do que o inspirado Young Frankenstein, lembro-me particularmente de Blazzing Saddles, filme que tinha gravado numa VHS que rodou mais vezes do que o recomendado. Tanto para a fita como para a cabeça de uma criança. Antes disso Wilder já havia sido o médico que amava uma ovelha em Everything You Always Wanted to Know About Sex, But Were Afraid to Ask, de Woody Allen e protagonizaria ainda Willy Wonka, papel pelo qual é regularmente lembrado, e The Woman in Red, provavelmente o seu maior sucesso em Portugal. Depois de alguns filmes pouco memoráveis nos anos 90 (incluindo alguns inenarráveis em que fez dupla com o problemático Richard Pryor), acabaria por deixar o cinema após a sua esposa e também humorista Gilda Radner ser vítima mortal de cancro.

Jason Bourne

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Estreado em 2002, The Bourne Identity é uma adaptação do livro homónimo de Robert Ludlum. História centrada na experiência de um operacional da CIA que perdera a memória e capaz de tudo menos matar os bons para descobrir quem é e quem lhe fez mal. Apareceu fresco como a brisa matinal no circuito mainstream numa altura em que os 007‘s eram péssimos e no geral os thrillers de espionagem não suscitavam grande interesse.

Depois de quatro filmes e em especial de um último que (não sendo mau) só tinha Bourne no título, o novo tomo foi anunciado com pompa e circunstância devido aos regressos de Paul Greengrass e de Matt Damon. Mas o tempo não foi generoso. O cinema de grande acção está bem melhor do que há década e meia e Jason Bourne começa a cheirar a bafio.

Muito formatado no seu shakycam e edição rápida, estilo visual que já foi refinado, engolido e empacotado para a televisão. As sequências parecem recicladas dos filmes anteriores e nota-se a falta de Tony Gilroy para contar uma história que desta vez além de não entusiasmar, aborrece. Nos anteriores nem reparávamos no argumento: estruturado para apoiar as cenas de acção e mantido seco e com pouca informação, servia a sua função. Agora é trapalhão e mal cumpre os mínimos de ligar bem os momentos fulcrais.

Em suma, Bourne era atraente por uma certa falta de charme e agora não tem charme nem atracção. Pelo caminho, teve enorme influência na renovação do ancestral britânico e na reactivação do género.

Tikkun

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Faz hoje um ano que estreou Tikkun no Festival de Cinema de Jerusalém.

O filme realizado por Avishai Sivan, é a história de um jovem judeu ortodoxo que recupera após ser dado como morto por 40 minutos. Só que o moço volta diferente, parece que que os estudos religiosos já não são o centro da sua vida e tudo isto vem abalar o seu mui regrado seio familiar.

Ainda a rodar – e a amealhar prémios – no circuito de festivais, não tem datas apresentadas para distribuição comercial. O trailer é do caraças.