A Ghost Story

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A Ghost Story é um filme de fantasmas realizado por David Lowery (mais conhecido por ter feito A Lenda do Dragão). Tal como a lugubridade da fotografia indica, é uma história pausada, um episódio existencial centrado no vagar e na memória de vidas passadas.

Casey Affleck (após Manchester by the Sea) volta assim ao registo que melhor lhe assenta, no papel de um músico desgastado que se muda com a mulher (Rooney Mara) para uma casa nos subúrbios. No desenrolar de eventos inesperados, um fantasma “à antiga” invade a trama e as personagens vêem-se forçadas a lidar com as circunstâncias que os recentes acontecimentos terão no modo como vivem o tempo.

Em Sundance, no início deste ano, a fita foi aclamada sobretudo pela sua originalidade e consagrada como uma obra-prima indie.

The Handmaiden

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Apesar de alguns exageros estilísticos recorrentes e da sensação comum de que os seus argumentos poderiam levar duas ou três gratificantes naifadas, Park Chan-wook é um dos meus cineastas preferidos. Desta vez o realizador de Oldboy transplantou para a Coreia uma trama de conspiração e desejo e filmou-a de forma despudorada.

Sendo desconhecedor do originário romance de Sarah Waters, Fingersmith, encontro-o descrito, após vinte segundos de google, como “lésbico-Dickensiano”. Parto para o trailer: sexo, violência, submissão e voyeurismo – com uns looks de arraso, como um se fosse um giallo contemporâneo (e anémico) em roupagem de época.

Há quem diga que The Handmaiden é feminista, que retrata os personagens masculinos como impotentes ou incapazes de seduzir. Há quem diga que não passa de uma fantasia construída exclusivamente para a mente masculina. Eu aposto que, se o argumento não tiver buracos, será um dos filmes do ano. Se os tiver, espero que o filme seja, pelo menos, um belo buraco da fechadura.

Gimme Danger

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Foi apresentado na última edição de Cannes, deu umas voltas por alguns eventos internacionais e hoje começa a ser exibido em casa, ainda no circuito festivaleiro. Gimme Danger é o documentário de Jim Jarmusch sobre um dos maiores marcos transgressores na história da música e cultura pop: Iggy Pop & The Stooges.

Será que estreia porque cá no início de 2017?

The Red Turtle

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É o primeiro filme lançado pelos Studio Ghibli após o hiato declarado há pouco mais de dois anos e ocorrido na sequência do anúncio da reforma de Hayao Miyazaki. Esta história de um naufrago numa ilha deserta, dirigida pelo holandês Michael Dudok de Wit (uma estreia em longa-metragem após várias curtas de animação de sucesso), é também o primeiro filme não japonês produzido por este estúdio, ainda que em co-produção com a francesa Wild Bunch.

Foi ainda anunciado que a obra não tem diálogos – um pormenor interessante dado que muita gente, quando espera um filme Ghibli, espera animais falantes.

Gene Wilder (1933 – 2016)

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Outro rosto que me é impossível desassociar da infãncia e que é levado este ano. Gene Wilder foi protagonista nalguns dos melhores filmes de Mel Brooks. Mais do que o inspirado Young Frankenstein, lembro-me particularmente de Blazzing Saddles, filme que tinha gravado numa VHS que rodou mais vezes do que o recomendado. Tanto para a fita como para a cabeça de uma criança. Antes disso Wilder já havia sido o médico que amava uma ovelha em Everything You Always Wanted to Know About Sex, But Were Afraid to Ask, de Woody Allen e protagonizaria ainda Willy Wonka, papel pelo qual é regularmente lembrado, e The Woman in Red, provavelmente o seu maior sucesso em Portugal. Depois de alguns filmes pouco memoráveis nos anos 90 (incluindo alguns inenarráveis em que fez dupla com o problemático Richard Pryor), acabaria por deixar o cinema após a sua esposa e também humorista Gilda Radner ser vítima mortal de cancro.

Jason Bourne

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Estreado em 2002, The Bourne Identity é uma adaptação do livro homónimo de Robert Ludlum. História centrada na experiência de um operacional da CIA que perdera a memória e capaz de tudo menos matar os bons para descobrir quem é e quem lhe fez mal. Apareceu fresco como a brisa matinal no circuito mainstream numa altura em que os 007‘s eram péssimos e no geral os thrillers de espionagem não suscitavam grande interesse.

Depois de quatro filmes e em especial de um último que (não sendo mau) só tinha Bourne no título, o novo tomo foi anunciado com pompa e circunstância devido aos regressos de Paul Greengrass e de Matt Damon. Mas o tempo não foi generoso. O cinema de grande acção está bem melhor do que há década e meia e Jason Bourne começa a cheirar a bafio.

Muito formatado no seu shakycam e edição rápida, estilo visual que já foi refinado, engolido e empacotado para a televisão. As sequências parecem recicladas dos filmes anteriores e nota-se a falta de Tony Gilroy para contar uma história que desta vez além de não entusiasmar, aborrece. Nos anteriores nem reparávamos no argumento: estruturado para apoiar as cenas de acção e mantido seco e com pouca informação, servia a sua função. Agora é trapalhão e mal cumpre os mínimos de ligar bem os momentos fulcrais.

Em suma, Bourne era atraente por uma certa falta de charme e agora não tem charme nem atracção. Pelo caminho, teve enorme influência na renovação do ancestral britânico e na reactivação do género.

Tikkun

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Faz hoje um ano que estreou Tikkun no Festival de Cinema de Jerusalém.

O filme realizado por Avishai Sivan, é a história de um jovem judeu ortodoxo que recupera após ser dado como morto por 40 minutos. Só que o moço volta diferente, parece que que os estudos religiosos já não são o centro da sua vida e tudo isto vem abalar o seu mui regrado seio familiar.

Ainda a rodar – e a amealhar prémios – no circuito de festivais, não tem datas apresentadas para distribuição comercial. O trailer é do caraças.

Lullaby

Lullaby

É oficial: Chuck Palahniuk terá mais um dos seus romances adaptado ao cinema, pela primeira vez com argumento do próprio. O crowdfunding, que começou na página Kickstarter em maio e teve a duração de um mês, acabou com mais de 405 000 dólares angariados para dar início à produção.

Autor de obras de culto como Fight Club, Choke e Snuff, a maior parte dos seus livros são considerados inadaptáveis devido ao estilo errático e transgressor, mas Palahniuk consta já com um grande número de criações transformadas em filme e o seu romance Survivor terá também uma adaptação ao formato televisivo programada para breve.

Lullaby conta como uma praga transmitida por um cântico africano, que quando falado ou simplesmente pensado, mata instantaneamente. Instalada no cérebro de um jornalista, transforma-o num serial killer involuntário. Esta parábola alerta para os perigos da disseminação da comunicação, cada vez mais patente e cada vez menos filtrada.

Com realização de Andy Mingo (um estreante nas longas que, contudo, já tinha feito a curta Romance, escrita por Palahniuk) e ainda sem elenco, esperamos por novidades sobre este filme como quem aguarda por pãezinhos quentes.

Cato

Morreu Burt Kwouk. O actor interpretava uma personagem secundária mas cativante nos filmes da série Pantera Cor-de-Rosa, Cato, empregado do inspetor Jacques Clouseau que tinha do próprio instruções para o atacar inesperadamente.

Um excelente exemplo do estilo com que Blake Edwards por vezes parecia fazer Looney Tunes com gente de carne e osso, estas lutas com Peter Sellers são um clássico da minha infância.